"Mãos anônimas na construção da Metrópole"

As vozes desveladas dos trabalhadores imigrantes com sons ilustrativos de atividades de trabalho.

Nos depoimentos dos trabalhadores, podemos ouvir ecos distantes das vozes daqueles que concretamente construíram São Paulo.

(...) Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Cruz e Souza

Estes imigrantes, e filhos de imigrantes, nos contemplaram com histórias mágicas, carregadas de saudosismo e nostalgia, lembranças de transformações, revoluções, ditaduras...

Ângela Aguiar Ortega, que chegou da Espanha em 1925, contou que seu dia-a-dia era marcado por uma exaustiva rotina de trabalho em fábrica de tear de São Paulo.

A japonesa Mitsuko Kawai não sabia se poderia falar a língua japonesa no Brasil. Lembrou em seus relatos o temor e a esperança na terra nova.

O funcionário da Light Eusébio Rabelo Autran contou que ficou intrigado quando ouviu dizer que a eletricidade passava pelo fio.

Ângelo Merzari nasceu em 1895 no Brasil. Seu pai chegou de Verona, Itália, no navio Duquesa de Gênova, desembarcando no Rio de Janeiro em 22 de junho de 1889 - o ano da República. Sua mãe é de Bérgamo, Itália, da região da Lombardia. Sabendo ler e escrever italiano, aperfeiçoou seus estudos de mecânica e eletricidade em livros técnicos. Foi admitido em 1924 no Departamento de Eletricidade da São Paulo Light. Lembrou da inauguração do prédio Alexandre Mackenzie em 1929, como um filho que viu nascer.

As lembranças de Severino dos Santos, eletricista da São Paulo Light e José Penha, da Contadoria, são registros de um tempo marcado por revoluções e por diversos movimentos sociais. Assistiram aos preparativos da revolução paulista de 1932, acontecimento que marcaria para sempre a história da cidade.

Sobre o seu cotidiano de trabalho, Francisco Camargo destacou a pontualidade como fundamental, e lembrou que tudo na São Paulo Light funcionava com perfeição.

Representando apenas pouco mais de um por cento do contingente da empresa em 1931, as mulheres foram pioneiras na conquista do mercado de trabalho, enfrentando preconceitos da época e aprendendo a se dividir entre o lar e o trabalho nos escritórios da empresa.
Thereza Giannini
foi datilógrafa e a primeira mulher aceita para trabalhar no Departamento Jurídico da Light. Ao longo de sua carreira, estudou francês, inglês e esperanto e especializou-se em Legislação Fiscal. Foi a primeira mulher na Empresa a ter um cargo de chefia.

Marion Smith, filha de canadenses, nascida em 1914, começou a trabalhar na Light em 1934 e foi secretária do Engenheiro Billings. Relata em seu depoimento que falava em inglês durante todo o tempo de trabalho.

Com o trabalho destas mãos anônimas, a cidade se transformou na metrópole de hoje.


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